Olharápios

23 Novembro 2008 at 7:35 pm (Uncategorized)

 

Um conto de fadas

Não me lembro do que ia dizer, e só escrevo isso agora porque faltam poucos minutos para enviar o meu conto solitário para o concurso que já não vou a tempo de terminar, uma vez que a Ana foi jantar com a filha, depois de uma terrível discussão sobre o pouco que nos resta para distribuir… quem é que manda em quê. Ela pretendia metade. Por fim concordámos, mas a discussão assanhou-nos, e portando não chegámos a nenhum acordo. A casa de pedra que ficaria a ligar os dois terrenos afinal não servia. Eu tinha sido feliz naquela casa. Ela pelos vistos não…

Estou tão turvo que não compreendo nada. Claro que o caril e uma garrafa de vinho tinto ajudam. Mas isto foi em parte o resultado de termos ido ontem jantar com os….para conhecer melhor a bonita, talentosa e aristocrática Sílvia Wilde. Não é muito do meu gosto mais austero (os meus amigos dizem que pinto o cabelo para disfarçar o meu conservadorismo) – vistosa, completamente maquiada, com uma roupa de espanhola… ou brasileira (deve estar na moda…andar vestida no Inverno com roupa branca e saias curtas) e toda a amenidade flexível desta nova aristocracia que vive bem sob um governo socialista, mas infelizmente sem graça…sem a inteligência dos artistas. Escreve quinze páginas por dia para várias revistas – vai às aulas de equitação – ao ginásio – acabou outro livro – publica na “Pergamon” – conhece o Paulo Coelho…conhece toda a gente…e frequenta a “socialite” da “night” lisboeta ao fim de semana.

Estarei a ficar velho e sentimental? Estou sempre a lembrar-me dos sons que ouvia quando era adolescente – na Caparica, sobretudo… O som do mar.

Mas as maneiras aristocráticas da princesa do povo eram de certo modo parecidas com as das actrizes – não há uma falsa timidez nem falsa modéstia: caiu-lhe um brinco no prato do jantar – oferecida pelo amante actual que também estava presente – pede licor (odeia whisky) – está metida em tudo – fez-me sentir virgem e tímido como um adolescente borbulhento. Contudo depois do jantar, soltei opiniões! E foi ver a cara dela dura, bonita, mas a precisar de arranjar os dentes: com tendência a ficar com duplo queixo se não tiver cuidado!

Eu não vendo nada. O meu editor…disse-me ontem que não chegavam a dez os exemplares que tinha vendido num mês…mas não me importo. Mas o que mais me irritou foi o desagrado contido naquela frase – o brutamontes, o gabarola, o suborno que o editor nos oferece, de que um conto editado por ele irá resolver todas as dificuldades, quando de contrário só complica as coisas. Como é bom saber tocar um instrumento! Vende bem a nossa amiga. Livros de auto-ajuda e de meditação transcendental. Agora Literatura…Não!

Seria perfeito se o meu editor não fosse meu amigo. Mas acho que não é essa verdadeiramente a questão. Ou seja, acho que, pelos nossos méritos, quem atrai agora a juventude somos nós. Ao ser irreverentes e claros. Ao acordar a cantar a “Ay Carmela” e começara a organizar o dia.  Vou responder àquela tonta disse eu…

Fokas Greenwood

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