Reportagem da TSF sobre o Second Life

11 Fevereiro 2009 at 11:56 pm (Actividades, EVENT, second life, VIDEO) (, , , , , , )

“Esta semana, a Reportagem TSF viaja pelo mundo virtual do Second Life. Trata-se de um espaço na Internet, onde é possível comunicar, concretizar alguns sonhos e até fazer negócios. Entrevistámos o “pai” do projecto, Philip Rosedale, e seguimos viagem por diversas “ilhas” onde há cada vez mais portugueses. 

A Segunda Pele” é uma grande reportagem de Ricardo Oliveira Duartecom sonoplastia de Herlander Rui. Passa na TSF esta quinta-feira, 12 de Fevereiro, depois do noticiário das 19 horas e no domingo seguinte, depois do noticiário das 10 horas.”

Podem assistir aqui ao vídeo da apresentação da reportagem.

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A Palestra de Manuela Nogueira

8 Fevereiro 2009 at 6:42 pm (Uncategorized) (, , , , , , )

Second Life

Foi com prazer que aceitei este convite de participar num evento dirigido também para o público virtual da Second Life. Tinha duas opções: ou escrever uma espécie de texto analítico sobre a Second Life ou falar de meu Tio Fernando Pessoa.

Pela circunstância de ainda estarmos a celebrar os 120 anos do seu nascimento era óbvio que a escolha era esta.

Acontece porém a circunstância de ter acabado de escrever um texto em inglês para levar a Utreque, na Holanda, a um Festival pessoano. Houve então uma ideia que me assaltou e depois se fixou para poder dialogar convosco.

O tema dessa palestra versa a questão: Instalação e Contestação.

É evidente que Fernando Pessoa começou desde os anos de Escola em Durban a contestar. Temos provas dessa contestação. Explicando essa contestação que mais tarde levou o poeta a criar várias personagens, digladiando em muitas frentes diversas, pensei que a ideia para a minha primeira abordagem para a Second Life seria sugerir que Fernando Pessoa foi, sem o saber, um pioneiro de um mundo virtual.

Para ele uma vida regular seria uma monotonia e assim criou uma assembleia de personalidades imaginárias com vidas distintas.

Penso que este autor português, traduzido em trinta e seis línguas, foi o primeiro inspirador de uma espécie de Second Life .

A criação de vários heterónimos e personagens, sendo uma, mulher (Maria José, a corcunda que amava um serralheiro), promove-o a um precursor de vidas virtuais. Sempre adiantado e fora do seu tempo, ele deu vida a várias criaturas que se definiam com identidades próprias, com culturas e pontos de vista opostos.

O drama – entenda-se peça teatral – conjunto de personagens com características diferentes que estabelecem diálogos ou solilóquios.

Quem conhece só uma parte restrita da obra de Fernando Pessoa pode ser levado a crer em afirmações que Fernando Pessoa nunca partilhou senão naquele mundo virtual.

Vamos imaginá-lo na nossa época.

Que divertido acharia manobrar essas marionetas intelectuais num ambiente que ele próprio criaria! O uso de um computador, da internet e a possibilidade de ter um Blog facilitariam o seu desempenho múltiplo. Talvez então tivesse sido possível dispor de tempo para casar com Ofélia, ter filhos, viajar num carro seu, um chevrolet. (mencionado no poema de Álvaro de Campos: Tabacaria.)

Ofélia, a quem escreveu tantas cartas de amor.

A família do poeta teria vivido descansada. É esta a parte que me toca mais profundamente. Os investigadores teriam acesso online e não teriam a preocupação de pedir autorização para consultar o seu espólio. Esse facto, daria à família que já há dezenas de anos os atendem, por amor ao poeta e à divulgação da sua obra, uma qualidade de vida que não é a que têm tido. A obra na Internet seria a original. A expansão da obra, a grande conquista da globalização por meio da técnica. O que aí escrevia mostrava a sua criatividade, o importante de uma comunicação célere e não o suporte onde fez os seus manuscritos.

Seria fácil ouvi-lo falar da sua família

Também seria reduzido os problemas que os investigadores têm com o seu espólio,! Não haveria tantos dactiloscritos e listas infindáveis de projectos. Se Fernando Pessoa fosse minimamente hábil, teria o seu espólio em pastas e as cópias definitivas em dossiers na internet. Tudo mais rápido, mais eficiente.

Haveria na Second Life várias figuras parecidas, mas distintas dizendo seus versos. Um Caeiro aloirado e de aspecto débil vivendo olhando a natureza e entendendo seus segredos e enredos e um Álvaro de Campos, vestido à inglesa com hábitos de Glasgow e chá ás cinco num café no Rossio enquanto esperava por Ofélia. Este Álvaro de Campos talvez se referisse ao seu antecessor Alexander Search que Pessoa trouxera na mala de viagem de Durban e de quem herdara a loucura das odes gigantescas, vociferantes, geniais.

Depois aparecia o Ricardo Reis com as sua odes esperando por Lídia e falando um pouco à moda do Porto. Ele sabia que era o homem de confiança do poeta Fernando Pessoa e que fora incumbido do prefácio para o livro de poesia de Alberto Caeiro, e para além disso tinha vários projectos de traduções. A sua cultura clássica assim o possibilitava.

Tal como possibilitava que proclamasse que preferia rosas; à pátria.

O Bernardo Soares, empregado de escritório, que alguns amigos de Fernando tomaram por ser seu sósia, aparecia bem distinto do seu autor que sempre gostou de vestir bem e de parecer um gentleman. Este lisboeta das ruas da Baixa corporizou num Diário o aparente quotidiano onde os pensamentos mais transcendentes pareciam brotar dum pacato e anónimo cidadão. O seu “Livro do Desassossego”, best seller em vários países, não é só um desassossego em SSS, é um mastigar de sensações, desejos, incapacidades humanas onde o espírito adormece e resplandece.

Sobre arte dizia assim: TEXTO do “Livro do Desassossego”

Se Fernando se cansasse destes seus cabides pensantes podia lembrar-se das personagens antigas e divertir-se com as suas epidémicas aparições e desaparecimentos. Com as novas tecnologias, não seria possível ás inúmeras personagens morrer e renascer sem se explicarem, não podiam desdizer-se com tanto desplante. Não lhes era permitido desaparecer para parte incerta. Todo o “seu drama em gente” precisava obedecr a um esquema. Estariam na coluna dos Favoritos e de lá não fugiriam. Que paz para os investigadores!

Certamente Caeiro viria a construir uma casa em Tavira na Av. Jacques Pessoa, seu antepassado. Assim ficaria perto e podia visitar as suas tias do lado paterno – a Tia Lisbela e a Tia Maria da Cruz.

O Álvaro de Campos iria com facilidade a Inglaterra onde encontraria seus irmãos Luís e João. Até talvez se deixasse seduzir pela irmã de sua cunhada Eileen, a Madge. Aquela mulher enigmática que o atraíra nas vindas a Lisboa e que logo partia sem uma explicação plausível. Uma louca, achava a família!

Talvez o Álvaro deixasse de ser tão implicativo com Ofélia, porque no seu íntimo, sabia que Fernando ardia com desejos que o incomodavam. Desejos que, se concretizados, o tornariam um homem casável e tributável.

O neo-paganismo de Ricardo Reis talvez fosse atenuado porque até os deuses andavam a viver tempos difíceis. Darwin, Dawkins, Russel e outros desmancharam um certo crochet de religiões. Deus continuava Deus para muitos, mas assemelhava-se, por vezes, ao deus dos maçons: o arquitecto do mundo.

A vinda do mago Alister Crowelly a Lisboa, sem ter sido convidado por Pessoa, poderia ser apenas imaginada. Já não havia PIDE que o perseguisse e não seria necessária a encenação do seu suicídio na Boca do Inferno. Perdia-se uma história deliciosa! Enfim, as sujeições políticas podem gerar cenários cómicos e também inspirações de elevado valor artístico. Incongruências inexplicáveis!

O poema estático “O Marinheiro” não poderia ser tão estático porque as veladoras seriam substituídas por bailarinas, talvez discípulas de Eva Bauch que diriam suas falas monocórdicas arrastando-se pelo chão. Fernando Pessoa não ficaria de boca aberta porque nada o espantaria. O mundo de hoje nada tem de comparável com os alvores de 1900.

Nunca saberemos se essa disciplina informática e virtual lhe tolheria o génio que ás vezes se desenvolve na anarquia.

Interrogamo-nos se os seus estudiosos, depois da sua morte, sentiriam o mesmo fascínio por uma obra arrumada onde não houvesse constantes dúvidas, interpretações, armadilhas, registos dispersos.

Teria o autor o privilégio de ser apreciado em vida e compensado pela sua arte?

Hoje, a informação dos media é muitas vezes um começo de uma novela policial, onde há presumíveis arguidos, tráfico de influências, corrupção, etc. Só os repórteres de guerra continuam nos cenários onde a sua vida corre riscos. Os outros só correm o risco de desdizerem-se, o que não os incomoda. Este facto anda sempre colado à presunção humana e ao negócio.

Fernando Pessoa que não apreciava ditaduras devia se interrogar sobre a gripe das democracias. Esse facto talvez o faria eleger outro heterónimo, talvez um Viriato Portugal.

Assim, no mundo virtual da Second Life, apesar das intrusões dos malefícios da vida real, impossíveis de erradicar, consegue-se recriar uma pretensa vida que o utente organiza e goza. Ele foge ao mundo ao entardecer quando regressa a casa só. Ou onde não encontra os afectos ou interesses que fazem da casa um verdadeiro lar.

Há quem veja até à exaustão os repetidos noticiários onde fica presumido que o mundo é povoado de burlões, assassinos, corrompidos. Há quem conversa ao telefone horas perdidas para libertar seus diabinhos, quem tome soporíferos para no sono encontrar não só o descanso mas a fadiga de viver. A Second Life por alguma razão tem sucesso e seguidores. São residentes nos seus palácios de fantasia, recebidos em auditórios para os seus trabalhos silenciados no mundo real. É um mundo fictício que pode compensá-lo das injustiças, dos desamores. Pode comprar, vender, pode chegar a países onde nunca tem esperança de visitar.

Como todos os sonhos que o homem tenta erguer, pode também o levar a desilusões, frustrações, más operações financeiras.

É uma facção moderna das reencarnações que aliviam tenuemente a ideia da morte.

E, agora, meus caros estou à vossa disposição para responder às perguntas que desejarem fazer-me

Manuela Nogueira

Janeiro de 2009

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Fernando Pessoa : Agradecimentos

6 Fevereiro 2009 at 2:15 pm (Eventos, Notícias) (, , , , )

 

Um Olhar... de Joaquim Carvalho

"Um Olhar..." de Joaquim Carvalho

Levar o Universo de Pessoa ao Second Life® foi um grande desafio.   Dar a conhecer uma das grandes obras do Poeta, assim como um Olhar artistístico sobre a sua mensagem por parte do Pintor Joaquim Carvalho, divulgar talentos como de Hugo Almeida, Rui Diniz e Luís Gaspar…  foi um grande esforço mas que valeu a pena.

 

E que ainda não acabou. Como podem ver nos posts abaixo, amanhã à tarde  os dois mundos,  real e virtual cruzam-se de novo. A sobrinha do Poeta, também ela poetisa,  vai estar amanhã a tarde no Second Life e na Biblioteca de S. Domingos de Rana,  para um conferência única e bilingue sobre a vida e obra do escritor.  Para que todos possamos ouvir falar das suas vidas e ter a oportunidade de fazer as perguntas há muito imaginadas.

Mas este post serve sobretudo para agradecer a todos aqueles que nos têm ajudado ao longo deste mês dedicado a Fernando Pessoa. Foram muitos, e deixamos para o final da exposição o Balanço Final e todos os .

Mas para provar que a blogsfera é também uma das melhores formas de comunicação e divulgação dos nossos talentos por vezes escondidos (afinal até Pessoa foi “redescoberto” por muitos após a sua morte) começamos por agradecer à rede de blogs e sites que apostaram na divulgação destes nossos eventos.

A todos… o nosso Muito Obrigado por apoiarem a arte e cultura portuguesas:

 

CM Cascais

CM Cascais

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“FERNANDO PESSOA – O TIO E O POETA”

6 Fevereiro 2009 at 4:24 am (Eventos) (, , , )

“No fim da estrada há uma encruzilhada tremenda.
O passado é um caleidoscópio de interrogações,
o presente, o restrito momento de um pensamento,
o futuro, uma nódoa onde o sangue se transmuda
se volatiliza e sobe ao céu em frágil renda.
Todo o axioma entrou em coma.
A lei agora é escapar, sobreviver.
O casamento deu-se, sem boda.
Faz-se amor como se clica o computador,
só tem fascínio o proibido.

O plantel actua no estádio vibrante,
a banda electriza de gestos e metais.
Esquecem-se os mortos da estrada
das guerras, epidemias, fomes.
Abre-se meia porta ao emigrante
que rasteja pela fresta errada.
Já não há encruzilhada nenhuma
nem pensamento a considerar
nem sentimento de culpa a arder
nem projecto a aquecer
nem raiva a crescer em amor.
Há sim a pressa de viver
num mundo que se dissolve em bruma.”

“Manuela Nogueira é escritora e poetisa. É também sobrinha de Fernando Pessoa. Nasceu na Rua Coelho da Rocha, onde está instalada hoje a Casa Fernando Pessoa e conviveu intimamente com o poeta até à data da sua morte. Na sua memória de infância guarda a imagem de um tio gentil, alegre e brincalhão. Só muito mais tarde se apercebeu de que se tratava também de um dos maiores poetas portugueses.

A vida é como é. Mas Manuela Nogueira às vezes dá por si a pensar como é que teria sido a sua vida se o destino não lhe tivesse dado um tio chamado Fernando Pessoa. “Tinha sido uma vida muito diferente. Nem melhor, nem pior, diferente”. Se calhar não teria arriscado lançar o seu primeiro livro de poesia só agora, no Outono da vida. “A comparação era sempre inevitável, mas agora não me preocupo tanto com isso. É uma das coisas boas da idade”, diz a sorrir. É que Manuela Nogueira é escritora e poetiza. O seu livro, “Ritual sem palco” foi lançado há pouco mais de três meses. Quem o leu gostou mas Manuela Nogueira tem pena que a crítica pura e simplesmente o tenha ignorado. “Como não sou do meio, não pertenço a nenhuma capelinha…”
Fala sem rancor mas com a certeza de que o mundo editorial português vive dias muito confusos. Mesmo assim não desiste. Os livros e a leitura são a sua paixão. Colaborou em jornais, escreveu obras infantis e livros para adultos, participou num sem fim de encontros, palestras e sessões de promoção e incentivo à leitura em escolas, autarquias e bibliotecas. Como fundadora da Associação Fernando Pessoa correu o País e o mundo convidada a falar do lado mais íntimo do poeta. “Posso dizer que o facto de ser sobrinha de Fernando Pessoa me proporcionou uma vida muito rica, pois conheci e convivi com gente maravilhosa de toda a parte do mundo”. (source)

E esta senhora, poeta sobrinha de poetas vai juntar-se a nós num mundo virtual para falar sobre aquilo que todos querem ouvir: como foi viver com um dos melhores poetas de sempre da literatura portuguesa. Vai ser no próximo sábado, dia 7 de Fevereiro, às 15h, na ilha Babel Project II, here. Quem preferir pode sempre ouvi-la pessoalmente, na Biblioteca de S. Domingos de Rana, em Cascais, no mesmo dia, à mesma hora. E como não podia deixar de ser…seja na vida real ou virtual, estamos todos convidados.

Manuela Nogueira, poet

Manuela Nogueira, poet

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Manuela Nogueira, Fernando Pessoa niece, in Second Life

6 Fevereiro 2009 at 3:27 am (EVENT, Eventos, POEM) (, , , , , )

Manuela Nogueira, poet

Manuela Nogueira, poet

Relatively unknown during his lifetime (having published only a single book of poems), Fernando Pessoa (1888-1935) has since been recognized as a literary genius. A national hero in his native Portugal, he developed a style of writing based on the use of “heteronyms,” of which he developed dozens. Following his death, a trunk was discovered containing over 25,000 pages of unpublished material from which this book was culled.” (source)

We cannot talk to him today, but he can come to us. He came to us on Second life’s Halden Beaumont Machinima movie “Pessoa”, his poetry and art based on his poetry. All together on a Second Life® exhibition occurring here.

But that is just a part, and we already noticed that. Next Saturday, Manuela Nogueira, his niece will come to talk to us and show how was living with the poet. She’s an 80 years old lady, also a writer and a poet, but today she will come to us on SL and share her thoughts and stories about her uncle – one of the biggest portuguese poets of all times. Dont miss an unique event on SL. Saturday, 7.30 AM,  here.

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O que prefere no Second Life?

3 Fevereiro 2009 at 9:12 pm (Uncategorized)

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Uma Banda Portuguesa no SL

28 Janeiro 2009 at 5:42 pm (Uncategorized) (, , , , , , , , , )

FXF are a portuguese band that performed on SL. Their singer, Xenya, was the first female portuguese singer on SL. Here are her word and their video. We hope to see them performing soon.

FXF played several times on Second Life as a band of covers.

Composed by Xenya Skytower (Xénia Pereira), Frederik Minotaur (Frederico Ferreira) and Fabyo Skytower (Fábio Ferreira).

Tplourenco Forcella, the founder of “Alma Portuguesa” was the first person who believed in their work and invited them to perform on his island on Second Life.

This made Xenya the first female  Portuguese singer singing on Second Life. Something she is proud of.

Here is a preview of some of their performances!!

Os FXF tocaram várias vezes no Second Life como uma banda de covers.

Composta por Xenya Skytower (Xénia Pereira), Frederik Minotaur (Frederico Ferreira) e Fabyo Skytower (Fábio Ferreira).

Tplourenco Forcella, o fundador da “Alma Portuguesa” (no SL) foi a primeira pessoa a acreditar no trabalho da banda e a convida-los para actuar na sua ilha dentro do Second Life.

Assim a Xenya torna-se a primeira cantora portuguesa a cantar no Second Life. Algo de que ela se sente orgulhosa..

Aqui está um “preview” de algumas das sua actuações!

Members:

Xenya – Vocals

Frederik – Guitar, Piano

Fabio – Drums

XeniaPereira”

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Falar sobre… “Boa Noite, Sr. Soares”

26 Janeiro 2009 at 1:40 am (EVENT, Eventos) (, , , , , , , )

Vai ser amanhã pelas 22h, na Livraria City Lights em Portucalis. Falar do livro de Mário Cláudio “Boa Noite, Senhor Soares”

“«O meu semi-heterónimo Bernardo Soares aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade.»

Venham conhecer o Sr. Soares e a surpresa que o Ibrahim Bates preparou, amanhã pelas 22 horas em portucalis.

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“Mário Cláudio escolheu para personagens alguns nomes que surgem no Livro do Desassossego, e passo a citar: «Se houvesse de inscrever […] a que influências literárias estava grata a formação do meu espírito, abriria o espaço ponteado com o nome de Cesário Verde, mas não o fecharia sem nele inscrever os nomes do patrão Vasques, do guarda-livros Moreira, do Vieira caixeiro de praça e do António moço do escritório.»

Para narrador da história Mário Cláudio escolheu o moço do escritório, António, talvez por ser o mais novo, o mais ingénuo e por isso mais capaz de ser tocado por aquele ser estranho com quem convive à distância no escritório do patrão Vasques.

Em Boa Noite, Senhor Soares recebe um nome completo — António da Silva Felício — e é um jovem acabado de chegar da província, mais precisamente de Escalos de Cima, concelho de Idanha a Nova, para se empregar como aprendiz de caixeiro no escritório de um armazém de venda a retalho da baixa lisboeta, na prosaica Rua dos Douradores, onde o senhor Soares é tradutor.

Com a simplicidade própria de quem nada conhece, António tudo e todos observa com atenção. E limita-se a descrever o que presencia, como se o fizesse quase apenas para si próprio, sem emitir juízos.

Desde o primeiro momento que o rapaz fica preso à figura do Senhor Soares que, segundo diziam os seus colegas, «embora não se distinga de qualquer outro sujeito, a verdade é que deu sempre mostras de ser um bocadinho esquisito»

No escritório todos sabem que escreve e que é poeta, e sem que António compreenda bem porquê, o certo é que goza de um estatuto especial. Incluindo para o patrão Vasques e para o guarda-livros, o senhor Moreira, que teoricamente ocupa o lugar de chefe do tradutor, mas aceita de bom grado a alcunha de Dom Barómetro que o senhor Soares lhe atribuiu devido à constante preocupação do guarda-livros com as condições atmosféricas.

Ao inserir-se no seu pequeno círculo de relações, António relata pormenores da vida de cada um, sobretudo aqueles que se vão tornando motivo de conversa dos outros. E desenrola perante o leitor um tecido urbano pardo, onde tudo remete para uma Lisboa murcha e tristonha, fechada sobre si mesma, onde nada acontece, nada é dramático, nem exaltante. Uma Lisboa onde o tempo não corre e, cito, «o dia seguinte seria de trabalho, igual aos da semana anterior, e da próxima» (p. 31), e em que uma mediocritas nada áurea todos invade. Todos não. Um ser escapa, um ser especial, que suscita a curiosidade do rapaz, por motivos que ele próprio não entende.

E à medida que avançamos na leitura, a fantástica mestria de Mário Cláudio vai-nos permitir (a nós, seus leitores) apreciar o modo como o rapaz se deixa tocar pela personalidade daquele enigmático senhor Soares. O leitor só tem acesso ao discurso interior do rapaz, que revela a sua total candura, a dificuldade em interpretar a sua própria experiência e os sonhos de viagens que não fará.

Gradualmente, a figura do Senhor Soares transforma-se no principal foco da atenção do jovem António e aquele adulto com quem nunca conversa, aquele senhor que só à saída dirige a palavra ao colectivo rapazes do escritório para lhes dar as boas noites, vai ser a figura de referência da sua juventude privada de projectos, de perspectivas e de formação.

(…)De repente, vira-se a página e passaram 52 anos. António recorda vagamente a cidade, o seu antigo local de trabalho, os sons que já não se ouvem… mas o que evoca com mais nitidez é o Senhor Soares, que tão mal conhecera e que afinal tanto o marcara. A sua vida é um arco entre a juventude e a velhice. Como na epígrafe de Shelley que abre o livro: «Youth will stand foremost ever» («A juventude permanecerá para sempre, acima de tudo»).

 

 

Emílio Rui Vilar, publicado em 9.9.2008 na secção Recensões Críticas

 

Mário Cláudio — Boa Noite, Senhor Soares. Lisboa: Dom Quixote, 2008”

(excerto retirado por Hopes)

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Worshop sobre Second Life: introdução ao SL

23 Janeiro 2009 at 10:09 am (Actividades, EVENT, Eventos, second life) (, , , , )

Tal como anunciado aqui, nos próximos sábados dia 24, 31 e 7 de Fevereiro SL e RL encontram-se  na Biblioteca Municipal de Cascais / S. Domingos de Rana, iniciativa da ACCV e da C.M. Cascais.

Para interessados, iniciados do Second Life… começa às 15h com conferência e depois um workshop de sensibilização sobre  SL.. formação desde o registo a aspectos do dia a dia inworld.

No mesmo espaço encontra-se a exposição de pintura de Joaquim Carvalho,”Um olhar sobre a Mensagem de Fernando Pessoa”.

Para quem não conhece a Biblioteca… a morada é Rua das Travessas, Tires. (Freguesia de S.Domingos de Rana, Concelho de Cascais).

Podem tentar ver o mapa para se situarem e clicar nele para abrir o mapa :=)… B indica a Rua das Travessas onde se situa a Bilioteca… )

Google Maps - Rua das Travessas

Google Maps – Rua das Travessas

Ver mapa maior

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Pessoa – the movie

23 Janeiro 2009 at 12:08 am (Uncategorized)

Vodpod videos no longer available.

As palavras do realizador podem lê-las aqui.

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